quinta-feira, 14 de junho de 2012

Colocação correta da vírgula

Citações que podem ser úteis


Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração. (Fernando Pessoa)

Sentir? Sinta quem lê! (Fernando Pessoa)

Ah, poder ser tu, sendo eu! Ter a tua alegre inconsciência e a consciência disso! (Fernando Pessoa)

Ser outro constantemente. Não pertencer nem a mim. (Fernando Pessoa)

É em nós que é tudo. (Fernando Pessoa)

Com que ânsia tão raiva quero aquele outrora! (Fernando Pessoa)

Como se interligam as temáticas em Pessoa ortónimo

quarta-feira, 16 de maio de 2012

As Transgressões na obra Memorial do Convento


Transgressão do código religioso
  • Sumptuosidade do convento (pp.365-6) vs a simplicidade e a humildade (essência dos valores cristãos);
  • Recrutamento à força;
  • Construção da passarola vs a proibição de ascender a um plano superior/divino (p. 198) - 4 bases de solidez do projecto: Bartolomeu, Baltasar, Blimunda e Scarlatti;
  • A castidade vs as relações sexuais nos conventos (pp. 95,97);
  • As estátuas dos santos (p. 344) vs a santidade humana (p. 342);
  • Missa, espaço de vivência espiritual (p. 145) vs missa, espaço de namoros e de encontros clandestinos (pp. 43, 162, 236);
  • A benção de Deus vs a benção dos homens;
  • Funeral do Infante D. Pedro, espectáculo de pompa e circunstância vs funeral do sobrinho de Baltasar, manifestação isolada de dor.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Ser Saramago e o Memorial do Convento


Algumas linhas de crítica em Memorial do Convento


Linhas de crítica:
- à igreja – religião, clero e ordens religiosas – por ex. p. 26 parágrafo «Vimos como em instância…» ;
- às terríveis discrepâncias sociais – por ex. p. 27 «No geral do ano… quando nasce, é para todos.»;
- à prepotência real – por ex. p.315 «só a vontade de el-rei prevalece, o resto é nada…» parágrafo iniciado na p. 314 «A princesa já não pensa…»;
- à má administração – por ex. p. 138 parágrafo «Ao outro dia…» - «por causa do dinheiro não sejam os atrasos, gasta-se o que for preciso.»;
- à futilidade e imbecilidade dos poderosos – por ex. p. 300 «Veio devolvida a coitada… mais sabendo menos.» anterior ao parágrafo «A história dos casamentos…».

Intenções simbólicas em Memorial do Convento

Estilo Saramaguiano - II


Principais marcas da linguagem e estilo de José Saramago (cf. Manual pp. 309-311)
- metáfora;
- comparação;
- ironia;
- hipálage;
- enumeração;
- adjetivação rica e expressiva;
- diversos registos de língua, não só quando falam as personagens, como também no discurso do narrador (o registo de língua familiar e popular é utilizado, frequentemente, com sentido irónico e crítico ou como forma de tradução do estrato social das personagens);
- marcas de oralidade, inclusão de regionalismos, palavras populares e calão;
- oposições sugeridas por vocábulos antónimos (p. 27 final do parágrafo «No geral do ano…»);
- formas verbais: gerúndio; presente do indicativo e imperativo;
- construção frásica: frases longas; paralelismos de construção (p. 26 parágrafo «Vimos como em instância…»); utilização do polissíndeto (p.99 parágrafo que começa na p. 98 «Já lá vai pelo mar…» - «A praça está toda rodeada… remata o varão da bandeira.»); utilização do paralelismo de construção e do polissíndeto (p. 113 parágrafo que começa na p. 112 «Na guerra de João…»);
- ausência de sinais gráficos indicadores de diálogo;
- hibridismo de tipologias discursivas (o narrador utiliza discurso direto, indireto e indireto livre, sem proceder às demarcações tradicionais ao nível gráfico e lexical);
- recurso a expressões idiomáticas, frases feitas, provérbios e subversão dos mesmos;
- utilização de deíticos, sejam os demonstrativos sejam os advérbios que apontam para um tempo e um espaço próximos do narrador;
- etc…

Estilo Saramaguiano


Aspetos relativos ao estilo saramaguiano
·   Aproximação da simulação quer do discurso oral, quer do monólogo interior, em que os pensamentos ininterruptos, sobrepostos, múltiplos alógicos, verbalizados de forma mais ou menos coerente, confluem de forma extremamente rápida e contínua.
· Emprego da vírgula que, sobrepondo-se aos demais sinais de pontuação, separa as várias falas das personagens e ritma o texto, marcando as suas pausas mais ou menos longas, assim como tem um papel fundamental na aceleração do ritmo de leitura do texto, já que as pausas definidas por vírgulas não serão nunca muito extensas e deixam apenas tempo ao leitor de acertar a sua respiração e preparar o fôlego.
· Também estão ausentes os sinais de pontuação que habitualmente são responsáveis pelas entoações quer exclamativa, quer interrogativa, cabendo ao leitor e à sua leitura a descoberta da sua presença na narrativa.
· Destaque-se, ainda, um tom coloquial e dialogante, com invetivas ao leitor, entrando em interação com um estilo e uma linguagem cujo paradigma é claramente o dos sermões barrocos do século XVIII. Será importante referir neste ponto as alusões ao sermão enquanto exercício oratório (p. 92 parágrafo «Quando calha, vem o Padre Bartolomeu Lourenço…»; p. 164 parágrafo «Tendes razão, disse o padre…»; p. 174 parágrafo «Et ego in illo…»)

terça-feira, 8 de maio de 2012

A música de Domenico Scarlatti

A  música que acompanhou o sonho de voar em Memorial do Convento. (algumas hipóteses)

Intertextualidades


Os intertextos de Memorial do Convento
            Encontram-se, nesta obra, várias intertextualidades com outras obras de referência:
a)     Os Lusíadas – p. 137 – parágrafo «Uns dias antes dera-se em Mafra…» - «foi como o sopro gigantesco de Adamastor… nossos trabalhos.»; p. 207 – parágrafo «O susto, o júbilo, cada qual de sua vez…» - «…que adamastores, que fogos-de-santelmo … tornam a dar salgado.»; p. 209 – parágrafo que inicia «Em poucos minutos, a máquina atinge…» - «Na frente deles ergue-se um vulto escuro, será o Adamastor desta viagem, montes que se erguem redondos da terra, ainda riscados de luz vermelha na cumeada.»; p. 300 – frase antes do parágrafo que inicia «Deitaram reverentemente…» - «vós me direis qual é mais excelente, se ser do mundo rei, se desta gente»; p. 304 – parágrafo «Corriam as mulheres, choravam…» - «ó doce e amado esposo…ó pátria sem justiça»; p.312 – parágrafo «Assim acautelado…» - «…este velho de aspecto venerando, ainda que sujo…»;

Categorias da narrativa - Espaço

Categorias da narrativa - Tempo

Caracterização de Personagens - II

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Caracterização de Sousa Falcão (p. 136-137) pelos alunos


           
        Sousa Falcão é um homem de ideais, fiel aos seus valores, e grande amigo do general Gomes Freire e de sua mulher, Matilde.
Vive atormentado pela dura realidade imposta pela condenação de Gomes Freire à pena da morte, realidade que devia ser destinada, igualmente, a si. Assume uma atitude derrotista perante a convicção do General, por isso veste-se de “negro”, dizendo estar de luto por ele mesmo (“Ele ainda está vivo, António. Não devia ter vindo de luto. (…) Não estou de luto por ele, Matilde (…)”). Sousa Falcão vê, nos seus valores, os de um homem justo, muito semelhantes aos do seu grande amigo Gomes Freire, todavia, ao contrário deste ele não está condenado à forca, por isso considera que “Quando os justos estão presos, só os injustos podem ficar fora das cadeias”, ou seja, neste momento, ele é um homem “injusto”. Sente-se revoltado e indignado por não partilhar o destino traçado a Gomes Freire (“Fosse eu digno da ideia que de mim mesmo tinha, e estava lá em baixo, em S.Julião da Barra, ao lado de Gomes Freire, esperando a morte… (…) As ideias de Gomes Freire são também as minhas, mas ele vai ser enforcado - e eu não.”). Queixa-se de ser um indivíduo com aparente falta de coragem, e é sempre o homem que fica em segundo plano, na segunda linha (“Faltou-me sempre coragem para estar na primeira linha…”). Rege a sua vida de acordo com os mesmos ideias do General, mas opta por não o demonstrar publicamente, considera-se um cobarde (“(…) dei comigo à beira de lhe chamar louco, para desculpar a minha própria cobardia”), utilizando esta característica para justificar a sua falta de iniciativa.
Sousa Falcão é, portanto, um idealista convicto dos seus ideias, mas que, nos momentos mais marcantes, opta por se situar num segundo plano, mais seguro, contudo menos digno face à luta pelos valores da liberdade, igualdade e fraternidade.

André Cid, 12º1C (2011-12)
 
           António de Sousa Falcão é o “inseparável amigo” do General Gomes Freire D’Andrade na obra Felizmente Há Luar!, sendo para além de Matilde, o único que o apoia incondicionalmente.
            Nesta cena, Sousa Falcão apercebe-se de que devia estar ao lado de Gomes de Freire e passar pelo que ele passou e pelo final inevitável que terá, pois apesar de nenhum dos dois ter feito algo de mal, ambos partilharam as mesmas ideias e desejo de mudança, e só Gomes Freire foi castigado por tal.
            Pelas palavras de Sousa Falcão, percebemos que ele sente que é um fraco e que devia ter tido coragem e enfrentar as consequências com que Gomes Freire está a lidar, afirmando que nem merece ser seu amigo “Fosse eu digno da ideia que de mim mesmo tinha, e estava lá em baixo, em S. Julião da Barra, ao lado de Gomes Freire, esperando a morte…”, pois Sousa Falcão sente culpa por não ser punido tal como Gomes Freire que está sozinho na masmorra, e ele está cá fora, são e livre, apesar de conspirar e partilhar os mesmos ideais que o General, como foi anteriormente referido, mas “Faltou-[lhe] sempre coragem para estar na primeira linha…”, e é essa cobardia que caracteriza esta personagem que se arrepende de não ter feito mais pelo seu fiel amigo.
            Concluindo, Sousa Falcão é um amigo fiel que espiritualmente é capaz de lutar por uma causa, mas a sua cobardia acaba por vencer, impedindo-o de agir.

Inês Mendes, 12º5 (2011-12)

terça-feira, 17 de abril de 2012

Planos para as questões B de Exame - Os Lusíadas

«Por obras valerosas que fazia,

Pelo trabalho imenso que se chama

Caminho da virtude, alto e fragoso,

Mas, no fim, doce, alegre e deleitoso»


Canto IX, 90


Luís de Camões, Os Lusíadas,
Os versos transcritos formulam uma perspetiva do heroísmo presente em Os Lusíadas.
Com base na sua experiência de leitura, explicite o modo como, ao longo da viagem, os navegadores portugueses se tornaram dignos de serem recebidos na «Ilha dos Amores», fundamentando a sua exposição em dois exemplos significativos.
Escreva um texto de oitenta a cento e trinta palavras.

A resposta pode contemplar os tópicos que a seguir se enunciam, ou outros considerados relevantes.
Em Os Lusíadas, o heroísmo dos navegadores, recompensado na «Ilha dos Amores», é provado pelo esforço e pelo sacrifício necessários à superação de múltiplos obstáculos:
– a passagem do Cabo das Tormentas (episódio do «Adamastor»);
– as condições meteorológicas adversas (a tromba-d’água, a tempestade, o fogo de Santelmo);
– a opinião contrária às Descobertas (episódio do «Velho do Restelo»);
– os ataques e as ciladas;
– ...

Características épicas e líricas em Mensagem


Características do discurso épico:
      uso narrativo da 3.ª pessoa;
      importância conferida à História;
      apresentação de um acontecimento histórico por um protagonista de alta estirpe (social e moral);
      mitificação de um herói – celebração dos feitos de um herói, tornando-o imortal;
      concretização de uma ação heroica e admirável, com a ajuda de um ser sobrenatural;

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Mundo inteligível


Sonho/Realidade (evasão, angústia, tédio, frustração) - citações


Sonho/Realidade (evasão, angústia, tédio, frustração)

«…o sonho é muitas vezes, para Fernando Pessoa, uma compensação para a realidade amarga e hostil (…). Perante a realidade decepcionante, o sonho aparece como o único caminho; uma forma de evasão, de esquecimento. (…)
«Porém o sonho, mais do que uma compensação, aparece por vezes como substituição à própria vida. Incapaz de aderir ao presente, à realidade que lhe aparece como demasiadamente forte, o poeta refugia-se no sonho. (…)

Nostalgia de um bem perdido/desagregação do tempo - citações


Nostalgia de um bem perdido/Desagregação do tempo

«A infância é a inconsciência, o sonho, a felicidade longínqua, uma idade perdida e remota que possivelmente nunca existiu a não ser como reminiscência»
Isabel Pascoal, Poemas de Fernando Pessoa

Fragmentação do eu - citações


Fragmentação do eu

             «Passageiro, viageiro, peregrino através da sua própria alma – é a imagem de si que o poeta permanentemente nos transmite.
«A alma que quer fixar, que fora de si, à sua frente, se desdobra como uma +paisagem é, contudo móbil: apenas à sua passagem o poeta pode assistir. Apenas pode, afinal (como tantas vezes, por outras palavras, disse) viajar através de si próprio, vendo-se e ouvindo-se, como «canção de viagem», que se sente ser.
«É o poeta que viaja através da sua alma-múltipla ou, inversamente, é viajado por ela? Seja como for, tudo é viagem: paisagem e passagem.»
Teresa Rita Lopes, Pessoa por Conhecer

Dor de pensar - citações


Dor de Pensar

«A extensão dos seus sentimentos é constantemente diminuída pela vastidão do seu pensamento. A vida não pode encontrar em Fernando Pessoa o que a vida requer para ser vivida – completo abandono aos sentimentos que desperta. Daí a dualidade constante desse homem que vive e pensa simultaneamente, e que, pensando o que vive, pensa, precisamente, que a vida só vale a pena ser vivida quando vivida sem pensamento, uma vez que o pensamento, pecado original de toda a vida, corrompe a inconsciência inerente à própria felicidade de viver.»
J. G. Simões, Vida o Obra de Fernando Pessoa

Nota biográfica escrita por Fernando Pessoa (com a data de 30 de março de 1935)


Nome completo: Fernando António Nogueira Pessoa
Idade e naturalidade: Nasceu em Lisboa, freguesia dos Mártires, no prédio n.º 4 do Largo de São Carlos (hoje do Directório) em 13 de Junho de 1888.

Alberto Caeiro - características-chave


Alberto Caeiro apresenta-se como um simples “guardador de rebanhos”, que só se importa em ver de forma objetiva e natural a realidade, com a qual contacta a todo o momento. Daí o seu desejo de integração e de comunhão com a natureza.

Fragmentação do eu


Pessoa por ele próprio…
                  «Continuamente sinto que fui outro, que senti outro, que pensei outro. Aquilo a que assisto é um espectáculo com outro cenário. E aquilo a que assisto sou eu.» Bernardo Soares1

                  «Meu Deus, meu Deus, a quem assisto? Quantos sou? Quem é eu? O que é este intervalo entre mim e mim?» Bernardo Soares1

                  «Sou o intervalo entre o que sou e o que não sou, entre o que sonho e o que a vida fez de mim, a média abstracta e carnal entre coisas que não são nada, sendo eu nada também.» Bernardo Soares 1

                «Não sei quem sou, que alma tenho. Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros).» Fernando Pessoa2

                  «Sou múltiplo. Sou um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única realidade que não está em nenhuma e está em todas.»  Fernando Pessoa2
1 – Livro do Desassossego; 2 – Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação