quarta-feira, 28 de março de 2012

Planos para questões B de Exame - Dor de pensar


1.     – Dor de pensar;
1.1.   – Condenação de ser lúcido;
1.2.   – Fragilidade da vida e inexorabilidade da morte;
2.     – Desejo de inconsciência:
2.1.   - «Ela canta, pobre ceifeira» e «Gato que brincas na rua»;
2.2.   – Sentimento de inveja:
2.2.1. - «Ter a tua alegre inconsciência/E a consciência disso»;
2.2.1.1.– Paradoxo: impossibilidade de fruição da vida «tão breve»
2.3.   – Intelectualização permanente:
2.3.1. - «O que em mim sente stá pensando» - dialéctica sentir/pensar;
2.3.2. – Dúvida sobre a utilidade do pensamento;
2.3.3. – Profunda angústia existencial:
2.3.4. - «Conheço-me e não sou eu»;
3.     – Condenação à dor de pensar;
3.1.   – Impossibilidade de alcançar a inconsciência – sofrimento;
3.2.   – Certeza da efemeridade da vida.

Planos para as questões B de Exame - Fragmentação do eu


  1. – Fragmentação do eu:
1.1. – Profundo auto-conhecimento;
1.2. – Drama de personalidade;
1.3. – Dispersão do real e de si mesmo
1.3.1.      - «Ser outro constantemente».
  1. – Despersonalização:
2.1. Heteronímia – diferentes personalidades;
2.2. – Ser plural
2.3. – Procura da totalidade;
2.4. – Experiências múltiplas:
2.4.1.      - «Por a alma não ter raízes» «[viaja!]» dentro de si;
2.5.  – Possibilidade de atingir o mundo inteligível:
2.5.1.      - «É em nós que é tudo»,
  1. Ser «múltiplo»
3.1. – Plenitude do ser

Planos para as questões B de Exame - Alberto Caeiro

Plano
1.     – Alberto Caeiro heterónimo de Fernando Pessoa:
1.1.  – Mestre;
1.2.  – Poeta do real objetivo;
1.3.  – Recusa do pensamento metafísico.
2.     – Caeiro sensacionista:
2.1.  – Simplicidade, inocência e constante novidade das coisas;
2.2.  – Captação da realidade imediata através das sensações;
2.3.  – Objetividade;
2.4.– Poeta da natureza e do olhar.

Não esquecer de inserir citações!

Simbologia do episódio da Ilha dos Amores

Ilha do Amores
                  A Ilha dos Amores simboliza o reconhecimento de Deus pelos feitos do povo português através de uma recompensa – a celebração de uma casamento cósmico entre as ninfas e os portugueses, através do qual Camões os eleva a um estatuto de divindades, é como se se dissesse que quem pratica feitos de tal magnitude merece a imortalidade própria da condição divina «Por feitos imortais e soberanos/O mundo cos varões que esforço e arte/Divinos os fizeram, sendo humanos». Deste modo, a viagem, mais do que a exploração dos mares, exprime a passagem do desconhecido para o conhecimento, não só a nível físico, mas também a nível espiritual/interior. Como diz Jorge de Sena estamos perante «a recolocação do Amor, do verdadeiro Amor, como centro da Harmonia do Mundo. A Ilha é uma catarse total, não apenas de todos os recalcamentos, mas das misérias da própria História, e das misérias da vida no tempo de Camões e fora dele (...) Ao desmistificar os deuses, Camões faz-nos assumir a fantasia como fantasia, dando aos homens a dignidade máxima de terem sido humanos, do mesmo modo que aponta aos homens a maneira de se divinizarem». 

Simbologia do episódio do Velho do Restelo


 

Velho do Restelo

Camões serve-se deste episódio para apresentar a opinião de todos os que se revelavam contra a expansão marítima portuguesa. Assim, faz a condenação da ambição de todos os que pela «vã cobiça» ambicionavam chegar ao outro continente pela «glória de mandar» e desejo de «fama», apresentando uma alternativa menos nefasta – expansão no norte de África – sendo uma espécie de mal menor, dado que o homem é caracterizado por uma «mísera sorte» e «estranha condição» de ser incorrigivelmente insatisfeito.

                  Esta personagem adquire várias funções. Por um lado representa uma personagem coletiva e simbólica, na medida em que apresenta a corrente desfavorável à expansão para o Oriente, sendo mais tolerante relativamente à guerra no norte de África traduzindo, genericamente, o medo do desconhecido e a hesitação perante a novidade, assumindo-se como símbolo da resistência social à aventura e novidade, representando o conservadorismo e a resistência à mudança, fazendo lembrar o coro trágico, pelas suas reflexões sentenciosas sobre a condição humana, por outro lado, surge-nos como uma personagem alegórica, já que representa a voz do bom senso, da fria razão, da prudência e da consciência do perigo, achando que estas expedições trariam o despovoamento e a ruína do reino e ainda a desagregação familiar «Dura inquietação d’alma e da vida/Fonte de desemparos e adultérios/Sagaz consumidora conhecida/De fazendas, de reinos e de impérios». 

Os Lusíadas e o maravilhoso pagão


Os Lusíadas  e o maravilhoso pagão
                  O maravilhoso pagão tem origem na antiga Grécia, onde se cria uma religião em que os deuses, embora sendo seres superiores, têm características muito semelhantes ao homem, na medida em que também eles amam, sofrem, discutem, descem do Olimpo (sua morada celestial) e convivem com os homens. As forças da natureza são identificadas com deuses, sendo estes que as animam, lhes dão vida. A introdução do maravilhoso é uma característica das epopeias clássicas.
                  O maravilhoso tem como função simbólica:
a)     alegoria de enaltecimento do grande feito português (prova disso são as dificuldades que os nautas tiveram que vencer);
b)     o destino e os deuses queriam o êxito dos portugueses (os portugueses estavam predestinados para estas façanhas);
c)      o maravilhoso pagão e o maravilhoso cristão fundem-se para insinuarem esta predestinação dos portugueses.
                  Entre deuses e homens há uma espécie de semi-deuses, são aqueles que têm qualidades acima do vulgar e que são protegidos pelas divindades. Os portugueses assumem n’ Os Lusíadas o papel de semi-deuses.  
Camões vai embelezar Os Lusíadas rodeando-o de um ambiente maravilhoso. Para isso recorre à utilização dos deuses pagãos, quer como adjuvantes, quer como oponentes a esta viagem do povo lusitano. Embora Camões utilize os deuses pagãos, no final da obra o agradecimento é feito ao Deus cristão, à «Divina Guarda», comprovando assim a existência dos dois tipos de maravilhoso na epopeia, podendo então afirmar-se que o maravilhoso n’ Os Lusíadas é misto (maravilhoso pagão e maravilhoso cristão) e naturalmente o respeito e submissão à censura da Inquisição que iria dar a permissão, ou não, para a publicação da obra.
                  O maravilhoso pagão ou o plano dos deuses é bastante significativo ao longo do poema, cruzando-se com o plano da viagem dando unidade e dinamismo à ação, sendo também o processo de dramatizar as ações dos heróis, fazendo reflectir nelas os próprios conflitos dos deuses.
                  No consílio do Olimpo, as deliberações são favoráveis aos portugueses por intervenção de Vénus, todavia Baco, oponente dos portugueses, consegue convencer Neptuno, deus dos mares, a deliberar contra os portugueses no consílio dos mares, o que de facto acontece. No entanto, os portugueses superam esses desígnios dos deuses ultrapassando esses perigos e chegando gloriosamente à Índia. É de salientar que os portugueses são ainda recompensados na Ilha dos Amores sendo, portanto, elevados à categoria de semi-deuses. 
Os deuses adjuvantes dos portugueses são: Júpiter, Vénus e Marte. Vénus surge também como símbolo do amor e do fado e os oponentes dos portugueses são: Baco.

Perspetiva alquímica e simbólica d’Os Lusíadas



A ideia de alquimia existe desde a Idade Média em que era vista como uma química hermética que procurava principalmente descobrir a pedra filosofal, que transmutaria os metais não nobres em ouro, e a panaceia universal, que curaria todas as doenças. Adquiriu, assim, o sentido de transformação, transmutação e magia.
Há três tipos de Alquimia: externa (dos metais), portanto física; interna (do homem), portanto espiritual; ars magna, simultaneamente transmutação da matéria e metamorfose da alma.
Esta operação simbólica era realizada através da virtude espiritual, assim, segundo os textos védicos, o ouro simbolizava a imortalidade, e é para isso que tende a única transmutação real: a da individualidade humana. Trata-se de atingir o centro do mundo e os estados supra-humanos.
De outro ponto de vista, a alquimia simboliza a própria evolução do homem de um estado onde predomina a matéria para um estado espiritual: transformar em ouro os metais é equivalente a transformar o homem em puro espírito.     
N’Os Lusíadas o caminho mágico, místico e alquímico conduzem à transmutação do ser, já que os portugueses passam de um plano terreno para um estatuto de divindade, atente-se no episódio da "Ilha dos Amores" em que os deuses reconhecem os feitos dos portugueses, permitindo-lhes uma união, casamento cósmico, com as ninfas. Também o episódio do "Adamastor", que possibilita a passagem do Oceano Atlântico para o Índico, simboliza a aquisição de conhecimento exterior e interior, é a superação das capacidades humanas, é a deificação dos homens.
Os portugueses vencem os quatro elementos da natureza: água – mar; fogo – armas de fogo e tempestades; terra – terras conquistadas e ar – ventos das tempestades, atingindo o quinto elemento, o éter, que lhes dá a eternidade. No fundo, estamos perante a transmutação alquímica através do reconhecimento divino relativamente à vitória sobre os quatro elementos da natureza.