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quarta-feira, 11 de outubro de 2017
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
terça-feira, 3 de outubro de 2017
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
quarta-feira, 20 de setembro de 2017
quinta-feira, 7 de maio de 2015
sábado, 21 de fevereiro de 2015
Fernando Pessoa - Mensagem – Símbolos e Simbologia
Mensagem, obra
pessoana épico-lírica de grande valor mítico-simbólico, apresenta uma estrutura
tripartida que assenta no mito sebastianista e na concretização do Quinto
Império.
As
imagens simbólicas percorrem toda a obra retratando o «sonho português» do
Quinto Império, começando logo pela estrutura tripartida que aponta para o
ciclo da vida: nascimento, maturidade e morte como ressurreição, estabelecendo
o trajecto de vida da pátria.
Também
as subpartes de Mensagem adquirem uma simbologia específica, assim, em
«Brasão» existem «os Campos» como símbolo de espaço de vida e da consolidação
do reino; «Os Castelos» como representação de protecção e das conquistas dos
heróis, sendo que os oito poemas que a compõem referem-se aos heróis históricos
e mítico-lendários associados à fundação e identidade de Portugal; «As Quinas»,
que ilustram cinco personagens lutadoras e mártires da história da pátria,
relacionadas com as cinco quinas da bandeira nacional e as cinco chagas de
Cristo que ilustram a dimensão espiritual do país, traduzindo a consciência do destino
pátrio; «A Coroa» que simboliza a realeza; e «O Timbre» que sendo uma marca
pessoal, transforma-se num sinal de poder legítimo. «O Encoberto» possui uma
divisão em três partes que se revela igualmente simbólica. «Os Símbolos»,
primeira subdivisão, anuncia a importância na crença do sebastianismo, como
ideal espiritual a seguir; «Os Avisos», segunda subdivisão, representa as três
vozes, Bandarra, Padre António Vieira e Pessoa, que profetizaram o Quinto
Império para Portugal; e finalmente «Os Tempos» procura concretizar a
predestinação já assumida de que «É a Hora» de Portugal cumprir a sua missão
espiritual com o mundo.
A
par dos dois aspectos acima citados, importa referir a simbologia que os números
assumem em toda a obra, que está escrupulosamente construída, a fim de
transmitir mensagens subliminares através do predomínio de determinados
números, quer na divisão dos poemas pelas diversas subpartes, quer pela
estrutura externa dos próprios poemas. Deste modo, é de salientar que os
números um (unidade), dois (dualidade), três (santíssima da Trindade, Deus é um
só Ser em três pessoas), cinco (as cinco chagas de Cristo), sete (período
temporal unificante, associado ao Poder e ao acto da Criação) e doze (unidade,
número da cidade santa, situada no Céu, a Jerusalém Celeste, que terá doze
portas e na qual terão lugar os doze apóstolos, também relacionado com a Távola
Redonda do Rei Artur), adquirem valor de símbolo, criando simbologias com os
assuntos a que estão interligados.
Finalmente,
os próprios conceitos, que surgem nos diversos poemas, como o «mar», a «manhã»
ou o «nevoeiro» assumem um carácter simbólico, que remete para a principal
linha de força de toda a obra: Portugal como país predestinado à concretização
do Quinto Império.
Concluindo, os símbolos e
simbologia existentes em Mensagem concorrem sobretudo para transmitir a
ideia da predestinação dos portugueses para a concretização do Quinto Império e
para a crença sebastianista. Fernando Pessoa - Mensagem – Quinto Império e o mito Sebastianista
Fernando
Pessoa, na Mensagem, anuncia um novo
império civilizacional - o Quinto Império. Portugal, por ser a «cabeça da
Europa», adquire uma grande carga
simbólica e mágica, sendo princípio e fim, «onde a terra acaba e o mar começa», existindo uma predestinação nacional para a
concretização deste Império.
Na
época dos Descobrimentos, Portugal foi o império dos mares, agora o Quinto
Império português será a «conquista das
almas», assim, após a localização de Portugal na Europa como «O rosto com
que fita é Portugal», Fernando Pessoa assume a grandiosidade e valor simbólico
do país na civilização ocidental, revelando, posteriormente, a concepção
messiânica da História e a missão que
nos foi imposta por Deus, «Deus quer, o homem sonha, a obra nasce».
A esperança
do Quinto Império associa-se à ideia tripartida da obra, traduzindo a
evolução mítica da história do país, desde a origem («Brasão»), à fase adulta
(«Mar Português») até à morte («O Encoberto»). Em «O Encoberto» é patente o
sentimento de sofrimento e mágoa, «Falta cumprir-se Portugal», assim torna-se necessária uma regeneração do país
capaz de provocar o nascimento do império espiritual, moral e civilizacional,
caracterizador do Quinto Império. O regresso messiânico (sebastianismo) que
permite o advento do Quinto Império surgirá após a tempestade atual, quando a
calma voltar e permitir que a luz ilumine o caminho, por isso «Ó Portugal, hoje
és nevoeiro.../É a hora!»
«E outra
vez conquistemos a Distância-/Do mar ou outra, mas que seja nossa», é a
crença de Pessoa na concretização do Quinto Império, um Império espiritual que
será atingível apenas por aqueles que acreditem no espírito sebastianista, que
«tomem [a loucura] /Com o que nela ia» e que passando «além da dor» consigam ascender a um estado superior de
lusitanidade e universalidade, para que estão predestinados.
Valete Fratres, expressão que
põe fim à obra, traduz uma saudação e um
apelo à luta por um Portugal Novo, para traçar novos rumos, tomar a
iniciativa e cumprir a missão que nos foi confiada.
Fernando Pessoa - Mensagem – Estrutura tripartida e o seu carácter simbólico
A
estrutura formal e simbólica de Mensagem de Fernando Pessoa é
importantíssima para a compreensão da obra, pois é a partir daí que se podem
retirar conclusões que permitem a idealização da construção do Quinto Império
português.
A Mensagem,
como expressão poética dos mitos, faz a sintonia
entre a vontade divina e o sonho humano que representam o desejo de chegar mais além, combatendo
o medo, através da sua persistência no cumprimento desta missão. A simbologia
da obra assenta imediatamente na divisão
em três partes que simbolizam o ciclo da vida da «alma lusitana». Assim, a primeira parte, «Brasão», traduz o princípio da nacionalidade, fazendo
referência aos fundadores e antepassados que contribuíram para a
construção/edificação da pátria, como D. Henrique que ergueu a espada «e
fez-se» o começo, simbolizando assim o nascimento
de uma nação grandiosa responsável pelo Império marítimo. «Mar Português», segunda parte, espelha
a realização dos portugueses através do
mar construindo o grande destino da Nação, «Do mar e nós em ti nos deu
sinal/Cumpriu-se o Mar». Simboliza, desta forma, a maturidade, a vida da pátria e a busca de um «futuro do passado»
em que «Deus quer, o homem sonha, a obra nasce» em direção à concretização do
Quinto Império. Finalmente em «O
Encoberto», cognome de D. Sebastião, é referido o império moribundo, a morte ou o fim das energias latentes, anunciando-se a regeneração e instauração
de um tempo novo, através do espírito messiânico sebastianista «É esse que
regressarei»
Mensagem
faz a apologia do passado português grandioso e heroico, revestindo-o de um
carácter místico, sendo tempo do cumprimento de uma missão determinada por
Deus, onde se receberão «os beijos merecidos da verdade» e a glória portuguesa,
o que levará os portugueses ao Quinto Império.
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Sonho/realidade - poemas representativos - II
Não sei se é sonho, se realidade,
Se uma mistura de sonho e vida,
Aquela terra de suavidade
Que na ilha extrema do sul de olvida.
É a que ansiamos. Ali, ali
A vida é jovem e o amor sorri
Se uma mistura de sonho e vida,
Aquela terra de suavidade
Que na ilha extrema do sul de olvida.
É a que ansiamos. Ali, ali
A vida é jovem e o amor sorri
Talvez palmares inexistentes,
Áleas longínquas sem poder ser,
Sombra ou sossego dêem aos crentes
De que essa terra se pode ter.
Felizes, nós? Ah, talvez, talvez,
Naquela terra, daquela vez.
Áleas longínquas sem poder ser,
Sombra ou sossego dêem aos crentes
De que essa terra se pode ter.
Felizes, nós? Ah, talvez, talvez,
Naquela terra, daquela vez.
Mas já sonhada de desvirtua,
Só de pensá-la cansou pensar,
Sob os palmares, à luz da lua,
Sente-se o frio de haver luar.
Ah, nesta terra também, também
O mal não cessa, não dura o bem
Só de pensá-la cansou pensar,
Sob os palmares, à luz da lua,
Sente-se o frio de haver luar.
Ah, nesta terra também, também
O mal não cessa, não dura o bem
Não é com ilhas do fim do mundo,
Nem com palmares de sonho ou não,
Que cura a alma seu mal profundo,
Que o bem nos entra no coração.
É em nós que é tudo. É ali, ali,
Que a vida é jovem e o amor sorri.
Nem com palmares de sonho ou não,
Que cura a alma seu mal profundo,
Que o bem nos entra no coração.
É em nós que é tudo. É ali, ali,
Que a vida é jovem e o amor sorri.
Fernando Pessoa
Sonho/Realidade - poemas representativos - I
Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!
Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!
Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.
Fernando Pessoa
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
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