domingo, 16 de novembro de 2014

Ricardo Reis - características

Ricardo Reis

·   Clássico no estilo, no rigor, no estoicismo, na adoção do paganismo, na crença nos deuses da Grécia e no exercício da razão;
·    Defensor do saber contemplar, ou seja, ver intelectualmente a realidade;
·    Serenidade livre de afetos e de tudo o que possa perturbar o seu espírito, busca a felicidade relativa alcançada pela indiferença à perturbação;
·    Defesa do Carpe Diem, o prazer do momento (só é real o presente, o futuro é uma incógnita, por isso a procura de desfrutar o presente), sem contudo ceder aos impulsos dos instintos, revelando um epicurismo triste;
·    Luta contra tudo o que lhe tire o sossego, aceita o destino com naturalidade, sem lhe resistir - «Segue o teu Destino» «sem desassossegos grandes»;
·    Paganismo - apologia da crença nos deuses e nas presenças quase-divinas que habitam todas as coisas, considerando-a disciplinadora das emoções e sentimentos;
·    Poeta intelectual;

Alberto Caeiro - Características

Alberto Caeiro
  •  Mestre de Pessoa ortónimo e dos outros heterónimos, Caeiro dá primazia ao sentido da visão, mas é sobretudo inteligência que discorre sobre as sensações, num discurso em verso livre, em estilo coloquial e espontâneo. Passeando a observar o mundo (deambulação), personifica o sonho da reconciliação com o universo, com a harmonia pagã e primitiva da Natureza.
  •  Poeta do real objetivo - vê de forma objetiva e natural a realidade;
  •  «Guardador de rebanhos» - pensa através das sensações;
  •  Pastor por metáfora - «Minha alma é como um pastor»;
  • Recusa do pensamento metafísico - «Pensar [metafisicamente] é não compreender»;
  •  Simplicidade, inocência e constante novidade das coisas;
  • Captação da realidade imediata através daquilo que as sensações lhe oferecem - «A sensação é a única realidade para nós»;
  • «Creio no mundo como num malmequer,/Porque o vejo. Mas não penso nele»;
  •  Religião sensacionista – Paganismo: paganismo vivido, não pensado;

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Sonho/realidade - poemas representativos - II

Não sei se é sonho, se realidade,
Se uma mistura de sonho e vida,
Aquela terra de suavidade
Que na ilha extrema do sul de olvida.
É a que ansiamos. Ali, ali
A vida é jovem e o amor sorri
Talvez palmares inexistentes,
Áleas longínquas sem poder ser,
Sombra ou sossego dêem aos crentes
De que essa terra se pode ter.
Felizes, nós? Ah, talvez, talvez,
Naquela terra, daquela vez.
Mas já sonhada de desvirtua,
Só de pensá-la cansou pensar,
Sob os palmares, à luz da lua,
Sente-se o frio de haver luar.
Ah, nesta terra também, também
O mal não cessa, não dura o bem
Não é com ilhas do fim do mundo,
Nem com palmares de sonho ou não,
Que cura a alma seu mal profundo,
Que o bem nos entra no coração.
É em nós que é tudo. É ali, ali,
Que a vida é jovem e o amor sorri. 
Fernando Pessoa

Sonho/Realidade - poemas representativos - I

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!
Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!
Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.


Fernando Pessoa

Sonho/Realidade


Fragmentação do eu